sexta-feira, 6 de abril de 2012

POEMA CONTÍNUO PARTE IX ( O poema sem fim)

Não há nada. Nada sou e nada tenho.
Meu coração é um cristal sem brilho
Uma canção sem estribilho
Uma moldura sem desenho.


A minha canção é a mesma cantiga
Os meus versos são os mesmos
A andar por aí a ermo
Por sobre as coisas antigas.


Eu não terei história
Na vida. Viverei à margem
Perseguindo uma imagem 
Que só existe em minha memória.


Ah, meus versos não tem sentido.
E às vezes me causam vergonha
Por me dizerem a coisa medonha
Antes me tivessem mentido.


Ana Roen
 

POEMA CONTÍNUO - PARTE VIII (O poema sem fim)

Adentro o mundo dos sonhos e todos os meus sonhos mato
Na ânsia incoercível de verter
Em sangue o que está a me doer
Faço uso de todos os aparatos.

Um longo processo se desencadeia
Sob sangue e veia a ferida exposta
De quem do mais amargo bebe e gosta
No lirismo vital da poesia.

Não importa se belos, feios ou exóticos
Sonetos, quadras, soltos, livres...
À luz dos versos cada sonho meu revive
E se não traz a cura, imprime o diagnóstico.

Ana Roen