segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

POEMA CONTÍNUO – PARTE VII (O poema sem fim)

As horas passam a tarde desce
Numa lentidão que não prospera
E eu fico como quem espera
O que a imaturidade do meu desejo desconhece.

Um silêncio fúnebre envolve a casa
O sol, o único visitante
Com sua luz alta flamejante
Qual um olho nitidamente em brasa.

Nenhum pensamento se sustenta
Tento sacudir os meus neurônios
Como um feixe em curto de iônios
Nessa impassibilidade que suplanta.

Ah, quantos pensamentos desconexos me nega a fala
Há em mim um espanto descomunal
Vem-me até a ideia do sobrenatural
Estou só. Ergo-me e caminho pela sala.

Em meio ao meu corpo também passeiam as dores
Um último resquício que há de vida
Nessa estranha sensibilidade resumida
Descrevo esse dia como um dos piores.

Ana Roen

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