sábado, 28 de janeiro de 2012

POEMA CONTÍNUO – PARTE V (O poema sem fim)

Sinto um grande prazer
Em escrever poemas feios
E na ânsia busco, permeio
As palavras mais duras de se ler.

E não há em nenhum idioma
Nem mesmo na complexa lusa
Um único vocábulo que traduza
Todo este anseio que me toma.

E nem há criatura viva,
No céu ou em abismos infernais
Que possa redigir meus ais
Com precisão exata e fiel descritiva.

E carrego para todo lado
Onde quer que eu vá, comigo
Como um infeliz mendigo
Este inútil e pesado fardo.

Não sei o que me aguarda
Já não vejo sentido nas linhas
O verso mal nasce, definha
Qualquer dia  não haverá mais nada.

Ana Roen


Nenhum comentário:

Postar um comentário