sábado, 26 de novembro de 2011

SOLITUDE E SOLIDÃO

Sentada no chão me envolvo
Meus braços a mim me envolvem
Sair de mim resolvo
Saídas assim resolvem.

Parte de mim reparte-me
Parte de mim dissolvo
Volto outra vez emendar-me
Meus braços me envolvem de novo.

Se saio volto e me envolvo.

Ana Roen


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NAU (FRÁGIO) (L)

Foi-me a esperança, que desfecho!
Foi tudo de minhas mãos fugindo
Fico aqui parada, não me mecho
Levem-me tudo, também já estou indo.
 

Levem meu destino, minha nau errante
Levem bem longe ao meio do mar
Que se perca pra sempre em uma onda gigante
Que queira, espero, assim o tragar.

Levem-me a sorte, que foi o meu mal
Levem também ao meio do mar
Que siga o destino de tantas naus
Que nunca mais ninguém pode encontrar.

Levem meu corpo e o deixem só
Levem pra longe... ao meio do mar
Uma pedra, uma corda, um grande nó,
E pronto. Já vou nessas águas morar.

Ana Roen


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MINHA POÉTICA

A minha poesia
É sincera e intimista
Eu acordo e todo dia
Passo a alma em revista.

E percorro cada canto
De sombrio interior
Sem surpresa nem espanto
Só existe lá a dor.

Vou sorvendo meus anseios
Vou bebendo em taça cheia
Sentimento, devaneios
Enquanto a vida passa alheia.

E sentindo o lânguido abraço
Da tristeza, em queda livre
Vou caindo pelo espaço
Sem ter onde me equilibre.

Daí vem essa poética
Como coisa meio torta
Sem seguir nenhuma estética
Meio viva, meio morta.

Ana Roen