terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUEM DERA

Quem dera
Essa espera
Valesse à pena
E que a dor fosse mais amena
Que a experiência me desse ciência
Que o sonho enlevasse a paixão
Que os erros me fossem lição

Mas nada disso aprendo
Refaço, corrijo, remendo
Nem sei mais o que fazer
A vida é só pra valente
Eu sou um mero acidente
Nem mesmo sei o que quero
Às vezes quero muito viver
Às vezes morrer é o que ESPERO!

Quem dera
Essa espera valesse à pena...

Ana Roen


domingo, 18 de setembro de 2011

DE TUDO UM POUCO

De luzes azuis belas e multicores
De alegrias e cores maravilhosas
De perfumes e suaves frescores
De rosas amarelas, brancas cheirosas.

De pássaros no ninho em suave arrulho
De suaves sons, enigmática orquestras
De resplandecente e doce brilho
De visões rápidas em chamativas frestas.

De andorinhas pelo céu na dança
De janelas que se abrem de par em par
De graciosas vozes de crianças
De quebrar na praia suas ondas, o mar.

De folhas trêmulas molhadas
No suave burburinho do vento
Verdes, viçosas, como esmaltadas
Tenras, graciosas, em crescimento.

De ondas batendo nos rochedos
De linhas tênues marcantes
De montanhas rochas e penedos
De perder-se a vista no horizonte.

De visões de raios, tempestades
De chuva do céu caindo
Molhando a lânguida e bela tarde
E a noite no céu surgindo.

De estrelas, brilhos, constelações
De luar de loucos, encantamento
De estrelas cadentes em rápidos clarões
Que nos perde à vista em rápidos movimentos.

De incontroláveis movimentos de arfantes seios
De olhos e pupilas dilatadas
Dos mais loucos devaneios
De  corpo e almas em encontro arrebatadas.


De impressões suaves, leves
De tudo o que a alma encanta
De momentos felizes, rápidos, breves
De vir-me a lembrança nesses versos canta.

Ana Roen


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RESCALDO

Há quem passe pela vida
Prisioneiro em seu próprio ser
Mas eu ando destemida
E fujo para viver.

Às vezes navego sem rumo
Às vezes encontro uma ilha
Às vezes desço e me assumo
Às vezes caminho por trilha.

Ora subo a montanha
Ora estou a descer
Ora a vida ganha
Ora estou a vencer.
 
Ana Roen

FLORES NO PRECIPÍCIO

Persigo o caminhos das flores
E colho desilusão
A rosa dos meus amores
Vai sempre na contramão.
 

Desembarco sempre atrasada
Não é a estação
Passaram apressadas
Ao longe florido vagão.

E nunca está ao lado
As flores onde se apanha
Sempre em vale escarpado
Ou no alto da montanha.

Será que é só isso?
Será que tudo é assim?
Flores no precipício
E a vida a passar por mim...?

Ana Roen

MOSAICO

Fui tantas... Sou várias
Que nem tive tempo de me conhecer
Algumas morreram, lendárias
Vem me contam nem sei o que dizer.

Todas juntas, um mosaico de mim
Que vou montando e não termina
Que vai crescendo sem fim
Desde os tempos de eu menina.

E vou pela vida afora
A mim mesma colecionando
Só me lembro dessa de agora
Que já vai indo embora
Pr'aquele mosaico humano.
 

Ana Roen

CHUVA QUE FICA

E o dia ficou parado
Nesse infinito torpor
De um céu todo nublado
E tudo da mesma cor.

E a chuva se perdeu nas horas
E entrou a noite assim
Mas antes de ir embora
Uma gota caiu em mim.

E meus olhos ficaram embrumados
E dessa gota formou rio
Que cercou por todos os lados
Um sopro de vento frio.

E não cessa o frio, perverso
E não para essa chuva fina
Que são agora meus versos
Cercado por essas rimas.
 

Ana Roen

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EU SOU...

Eu às vezes sou sucinta
E às vezes sou demais
Muito embora nunca minta
Sempre vou e volto atrás.

Muitas vezes não me entendem
Muitas vezes não me entendo
Mas quem sabe um dia aprendem
Eu também to me aprendendo.

Vou às vezes na carreira
Mas às vezes a passos lentos
Mas eu tenho a vida inteira
E é meu todo meu tempo.

Eu sou tudo o que eu sonho
Mas também em pesadelo
Com a verdade me indisponho
Se não atende ao meu apelo.

Sou o vento? Sou miragem?
Me escondo? Me apresento?
Se esqueceu a minha imagem
Alcancei o meu intento.

Se me encontra outra vez
Vai dizer: -- Não te conheço!
Eu sou uma, duas, três...
Com nenhuma me pareço.

Se tentar me entender
Mais confuso vai ficar
Se de novo quer me ver
Me procure sem parar.

Ana Roen

A ROSA DA TRISTEZA

Vai, arranca as tuas flores
Vai, desfolha esse jardim
Plantação de desamores
Borboletas de marfim.

Vai, se joga nesse afã
De sofrer a vida afora
Pois a tua sorte é vã
E o amor te ignora.

Vai e bebe com frieza
Cada gota desse amargo
E se vires a tristeza
Não a deixes ir à largo.

Aproveita o ensejo
De visita tão honrosa
Peça a benção, da um beijo
Faça dela a tua rosa.

Ana Roen