quarta-feira, 24 de agosto de 2011

AURORA

Que ilusões gentis à alma evoca
Que breves sonhos de outras criaturas
Que notas dormentes toca
Música suave de orquestras puras.

Breve lamento de doce agonia
Como se o ser transpassasse o movimento
Em ver que acorda lentamente o dia
Sem soluços, em delicado momento.

Dor ainda sem sentimento ou ardência
Clarões e luminosidades claras
Que vão surgindo nessa cadência
De silêncio e vozes silenciosas, raras.

E o pressentimento de que tudo começa
E o sol de ameaça incerta
Pairando ao longe, sem nitidez ou pressa
Sob nuvens lentamente desperta.

E vai despertando o que eu não queria
E vai revolvendo até a superfície
E as incertezas que ao longe eu via
O sol descobre, misterioso artífice.

Breve instante o arrebol
Em que se pode repousar ainda
Mas eis que rompe a preguiça, o sol
E sua fúria desperta a vida.

Quantas interrogações já vejo saltar
Que reserva de dias anteriores?
O que vai desabrochar?
Ou morrerão para sempre as flores?

Ah, não há dúvida começa tudo
Em um raio onde minha vista alcança
Agora é certo, tudo é desnudo
E fecho os olhos à misteriosa dança.

E dos olhos só uma lágrima rola
Que vinha guardando aqui nesses versos
Debaixo desse sol que a tudo assola
Nesse mundo aparente, o meu mundo é submerso.

Nasce o dia!
Eu me despeço.

Ana Roen

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