terça-feira, 2 de agosto de 2011

APENAS O QUE RESTA

Embraseia-se de  sol, o horizonte
E navego em águas cálidas
E bebo na fonte
Dessas ilusões pálidas.

Pois sei que o sol, o rio, as águas puras
São ilusões que criei, só minhas
E as águas sempre são escuras
E é sempre noite e sempre fui sozinha.

E olhando agora, e ainda, e mais de perto
Fecho os olhos, não quero, custa, hesito...
E olho. E é noite e é deserto
E não vejo mais o que havia visto.

Que o sol, sua luz não mais empresta
A esse caminho longo percorrido
E vivo apenas do que resta
 Desse rio que aos poucos tem morrido.

E logo da tarefa de existir
Sobrará sequer a dor, a ânsia
E como o rio saberei que já morri
Quando em mim tudo for distância.

Ana Roen

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