quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E.U. T.E. A.M.O.

Eu te amo no que escrevo
E te amo no que eu faço
Eu te amo mais que eu devo
Nesse amor eu me desfaço.

Eu te amo com saudade
Eu te amo com loucura
Eu te amo com verdade
Em ti vejo a minha cura.

Eu te amo em segredo
Mas às vezes eu escancaro
Eu te amo com meus medos
Eu te amo e nunca paro.

Eu te amo e te quero
Desse amor também preciso
A loucura que eu espero
Do teu corpo e paraíso.

Eu te amo com tristeza
E te amo com alegria
Muito embora longe esteja
Sem amor pior seria.

Eu te amo e não me custa
Como coisa habitual
Eu te amo e só me assusta
Se te ronda qualquer mal.

Eu te amo no que vejo
Em tuas fotos, tua imagem
Nos meus sonhos te desejo
No deserto és miragem.

Amo tua voz que é linda
Que um dia escutei
E o som escuto ainda
Para sempre guardarei.

Eu te amo e te devoto
O melhor que há em mim
Eu te amo e não te solto
O teu não pra mim é sim.

Eu te amo nessa vida
E te amo se eu morrer
Pensa nisso e não duvida
Nesse amor confia e crê.

Eu te amo, és amado
Para sempre te amarei
Guarda sempre com cuidado
Esse amor que eu te dei.
 

Ana Roen

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

AURORA

Que ilusões gentis à alma evoca
Que breves sonhos de outras criaturas
Que notas dormentes toca
Música suave de orquestras puras.

Breve lamento de doce agonia
Como se o ser transpassasse o movimento
Em ver que acorda lentamente o dia
Sem soluços, em delicado momento.

Dor ainda sem sentimento ou ardência
Clarões e luminosidades claras
Que vão surgindo nessa cadência
De silêncio e vozes silenciosas, raras.

E o pressentimento de que tudo começa
E o sol de ameaça incerta
Pairando ao longe, sem nitidez ou pressa
Sob nuvens lentamente desperta.

E vai despertando o que eu não queria
E vai revolvendo até a superfície
E as incertezas que ao longe eu via
O sol descobre, misterioso artífice.

Breve instante o arrebol
Em que se pode repousar ainda
Mas eis que rompe a preguiça, o sol
E sua fúria desperta a vida.

Quantas interrogações já vejo saltar
Que reserva de dias anteriores?
O que vai desabrochar?
Ou morrerão para sempre as flores?

Ah, não há dúvida começa tudo
Em um raio onde minha vista alcança
Agora é certo, tudo é desnudo
E fecho os olhos à misteriosa dança.

E dos olhos só uma lágrima rola
Que vinha guardando aqui nesses versos
Debaixo desse sol que a tudo assola
Nesse mundo aparente, o meu mundo é submerso.

Nasce o dia!
Eu me despeço.

Ana Roen

sábado, 20 de agosto de 2011

EXCRUCIANTE

Uma dor na alma ensanguentada...
De saber que toda beleza
Nasce da tristeza
E todo amor
Nasce da incerteza...
E a felicidade
Já nasce condenada!

Ana Roen

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

POR QUÊ?


O que fazer da noite que assombra?

O que fazer se o mal se avizinha?

Tristeza e dor tenho de sobra

E com todos vocês estou sempre sozinha.



O que fazer se a dor me vence?

Como secar a lágrima que escorre?

E se a tristeza me pertence

Por que dela assim se morre?



Por que é essa dor tão vivaz?

Por que de mim e apossa?

E por que nunca se satisfaz,

Pisa, insulta, rir, faz troça...?



Até quando meu Deus... Tudo vê

Me deixará assim vencida

Quanto choro há mais pra verter

E quanta dor ainda há nessa vida?



Ana Roen

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A MESMA DOR

Chorei um rio de amargor
E nem ao menos assim me deixas
Purgando sempre a mesma dor
Dando mais motivo às minhas queixas

Passei a vida inteira com o grito
Pronto pra sair, minha voz rouca
Em agonia e ânsia ainda me agito
Como se a mão cobrisse minha boca

Oh, dor porque me escolheu
E persegue-me sempre ensandecida
Comprarei uma passagem só de ida
Pra bem longe outro mundo outra vida
Onde ninguém mais me encontre, nem eu

E quando perguntares por mim: -- morreu!


Ana Roen

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ÁGUAS DE MIM

Eu não choro porque queira
Quem me chora é a vida
Eu me seco por inteira
Mas em rio fui convertida

E não paro de verter
Dessa fonte ressentida. 

Ana Roen

ESPELHO

Não me olho mais de frente
Não por falta de coragem
É por ver que de repente
Se apagou a minha imagem.

A que vejo não sou eu
Quando foi que me perdi?
Ou o espelho me esqueceu
Ou eu nunca existi.

Ana Roen

DIVIDIDA

Sinto que nasci por distraída
Que sou e vim ao mundo sem querer
Abortei meu projeto de suicida
Na metade e não consigo então viver.

É assim que eu vivo dividida
Em metades que separada
Uma está sempre de partida
A outra é presa e amarrada

A este mundo que não é o seu lugar
Pois aqui não encontrei o que eu queria
Depois de incessantemente procurar
Nem mesmo sei o que seria...

E é sempre a mesma angústia que não passa
E é sempre esta angústia que não finda
E tenho a sorte por desgraça
E ando meio morta nessa vida.

Ana Roen

TUDO

Quem pode extravasar isso que sinto?
Dentro de mim não cabe, explodo!
Com a verdade mesmo minto
E com tudo e nada me incomodo.

Quero ir aos céus, descer ao inferno
Ir a todos os lugares num minuto
Fazer com que esse instante seja eterno
Porque eu sinto, sinto, e sinto muito.

Minha alma não posso mais conter
Como se vai embora e assim me diz
Que posso mesmo quem sabe até morrer
Desse jeito que estou, triste e tão feliz!

Ah! Eu colho as rosas do absurdo
Posso até gritar que continuo muda
E tudo é nada e nada é tudo
E mais e mais a alma inunda.

Que posso ainda mais querer...? Eu não me iludo...
A visão do ser amado ainda queria
Aí então dizer eu poderia
Que tudo isso agora é MAIS que tudo!

Ana Roen

terça-feira, 2 de agosto de 2011

APENAS O QUE RESTA

Embraseia-se de  sol, o horizonte
E navego em águas cálidas
E bebo na fonte
Dessas ilusões pálidas.

Pois sei que o sol, o rio, as águas puras
São ilusões que criei, só minhas
E as águas sempre são escuras
E é sempre noite e sempre fui sozinha.

E olhando agora, e ainda, e mais de perto
Fecho os olhos, não quero, custa, hesito...
E olho. E é noite e é deserto
E não vejo mais o que havia visto.

Que o sol, sua luz não mais empresta
A esse caminho longo percorrido
E vivo apenas do que resta
 Desse rio que aos poucos tem morrido.

E logo da tarefa de existir
Sobrará sequer a dor, a ânsia
E como o rio saberei que já morri
Quando em mim tudo for distância.

Ana Roen