segunda-feira, 11 de julho de 2011

VERDADE MALDITA


Sempre pensei ter fingido

Mas agora é nítido e claro

E embora sem sentido

Sou um caso um pouco raro

De alguém que não se suporta

E a si mesmo maltrata

Por vontade e por querer.

O que fazer

Pra de mim me livrar

Se pra eu me obedecer

Só se eu me matar?

O único jeito é morrer?!

Quero fugir do que sou

Mas sempre me sigo onde vou

Não deixando que de mim me esqueça

E sempre a mesma pergunta

Martelando na cabeça:

Que Deus tão negligente

Criou à revelia

Este ser que não queria

Se o fez ainda inocente?

Posso ainda estar dormindo

Mas meus olhos vão se abrindo

Minha revolta é crescente.

Agora que tenho ciência

Só encontro a saída

Pela porta de emergência.

Se alguém aí se espanta

De tão horríveis palavras

Digo, tenho outras tantas,

Mas minha boca se cala.

Pois me reservo o direito

De guardar alguns defeitos.

Se isso aqui não se encerra

Acabo como quem erra

Dizendo o que não queria

E rasgando meu coração

Em outros tantos pedaços.

Não sei porque me preocupo

Se disso sempre me ocupo

Se foi sempre isso que fiz

Se é sempre isso que faço.

Tanto que procurei

Pois agora que eu me achei

Não sei o que vou fazer.

Só sei que não vou ter

Nem um minuto de paz

Acabou-se meu alento

Daqui pra frente é tormento

Me enganar não posso mais!


Ana Roen


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