sábado, 2 de julho de 2011

DESPREZO

Por que bater
Sempre à porta
Se nenhuma resposta
Vou ter
Nem mesmo a ironia
Dos mais frios dias
Fiz por merecer

Se grito por cima dos montes
Se me atiro de todas as pontes
Se bebo na fonte
Dos venenos mais fortes...
E pra quê?

Se até as almas já mortas
Vem me dizer:
- Eu sei o que não suportas
E essa é a dor que vai te vencer!

Cresce uma pantera
A mais negra de todas as feras
E vem nos meus olhos beber
Toda lágrima densa
Que ficou suspensa
E não pude verter

Na madrugada
Com foice afiada
A morte vem me render

Mas peço por nada
Sem fé e sem crença:
- Espera um pouco mais
Deixa-me viver!

Ana Roen

Um comentário:

  1. Parabéns pela iniciativa de criar um blog para nos oferecer seus belos poemas. Fiquei encantado com suas palavras

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