terça-feira, 26 de julho de 2011

PERDI-ME

Deserdei a alma por querer
Não quero mais o que está perto
Soltei as amarras do viver
Navego agora em mar aberto.

Persigo o vôo das gaivotas
A paisagem é de entontecer
Vislumbro ao longe as ilhotas
Sonhos que acabam de morrer.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

E não sei dizer o que procuro
E rompi com tudo nesse mundo
E agora esse céu é tão escuro
E agora esse mar é tão profundo.

Ana Roen

sexta-feira, 22 de julho de 2011

FALA COMIGO, AMOR

 Fala comigo, amor
Uma palavra qualquer... um beijo
Que desse amor nasce o desejo
E desse desejo, mais amor...

Não me castigue com tua ausência
Posso não resistir e até morrer
Se ainda vivo é pela tua essência
Que se confunde com meu próprio ser.

As horas que passo é pensando em ti
Cada minuto parecem horas
Dividida ao meio, em duas assim:
A que não te esquece, e a que te adora!

Ana Roen

DOCE PRESENÇA

Sinto na alma suave ardil
Que a deixa envolvida em seu doce encanto
A minha alma está febril
No aconchego de envolvente manto.

Não sente as dores de outrora
Nem se exaspera em choro convulso
A minha alma repousa agora
Sinto lentamente bater-lhe o pulso.

Quisera  repousar sempre assim dolente
Nesse doce aconchego encontrei abrigo
Sentir a alma doente
É sentir o calor de um abraço amigo.

Ana Roen

terça-feira, 19 de julho de 2011

POEMA EM DOIS ATOS

Com o cair da noite
Nenhuma nova surpresa
No fim do corredor
A luz acesa
Não expulsa velhos fantasmas
E o mesmo quadro de horror
Moldura a minha tristeza.

Dormirei!

Cai novamente a noite
E o que se mostra?
Aquela imagem
Sobreposta.
Estou
Presa
No mesmo quadro de horror
Moldura da minha tristeza!

Não dormirei!

Até que se apague
A última luz acesa
Pois naquele quadro de horror
A moldura é a minha tristeza!

Ana Roen

domingo, 17 de julho de 2011

TORMENTA

Oh! Que tortura
Não saber o que há lá fora
Desce a noite seu manto
Negro que a tudo ignora
Noite sem luar só vento
Vento que assusta e apavora.


Dormir nesta noite, impossível
Força as portas o vento
Com ameaça terrível
Agora e a todo momento.

Daqui agora não saio
Se penso que ainda chove
Corta ao meio um raio
A noite que a tudo absorve
Alguém pergunta a hora:
- Falta um minuto pras nove!

Ana Roen

SER POETA

O que seria 
Comparado
Ao prazer de olhar o firmamento
Sentir-se desamparado
Por vezes tristonho
E sentir o pensamento

Como um ser supremo alado
A estar onde não estamos
A ver o que nós não vemos?!

Ter a nítida impressão, um traço
De felicidade e dor
Pairar no espaço
Asas de condor

Ir por onde quiser
Ter a inquietação
E saber que tudo o que fizer
É valido é vão

Ser apenas
Sentir-se
Pleno
E perder-se na imensidão


Até ser
Plenitude e imensidão!

Ana Roen

A VIDA

A vida passa à despeito
A vida é passada agora
Tendo virtude ou defeito
Não há quem não vá embora.

Eu levo a vida do jeito
Que quis que quero e posso
Se meu caminho é imperfeito
Por que achais que o vosso

Seria por mim aprovado?
Pois se depois de posto
Em um caixão e levado
A vida teria passado
Sem ter tido sequer um gosto...

Por isso eu não preciso
De suas fórmulas preciosas
Invisto no choro e no riso
Pois a vida é espinho  rosas.

E quando alguém me pergunta
Por que fiz isto ou aquilo
Já tenho resposta pronta:
-Fi-lo porque qui-lo!

Ana Roen

EU JÁ MORRI

Eu já morri
E continuo nascendo
De muitas idades
Matei saudade
Trago comigo
O que vou aprendendo
E de nada me servem
Se eu não me escuto
Sempre que nasço
Renovo o luto
A minha roupagem
Eu nunca mudo
Só estou de passagem
Eu não me iludo
A minha festa
É o absurdo! 

Ana Roen

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EU MORRI

Desliguem o som
Do  mundo inteiro
Apaguem as luzes 
E me deixem aqui no escuro
E se falarem
Que seja num tom
Bem baixinho
E devagar
Porque eu morri
E o meu velório
É simplório
E particular
Somente os passarinhos
Quero ouvir cantar!

Ana Roen

quinta-feira, 14 de julho de 2011

EU PROCURO

Eu procuro
Eu procuro
Eu procuro

Minha busca
É feita no escuro

E quanto mais eu procuro
E olho pra frente é escuro

O futuro
O futuro
O futuro

Procuro nas noites adentro
Procuro perdido no vento
Dentro do meu pensamento
Quanto mais procuro e tento

É escuro
É escuro
É escuro

Ana Roen

terça-feira, 12 de julho de 2011

QUANDO O AMOR TEM QUE MORRER

Amar sem ter pedido
De um amor sem precedente
Por não poder ter escolhido
Uma dor menos pungente.
Mesmo assim bem definido
Esse amor não pode ser
Se é amor perdido
Amar pra que?
Inda assim bem consciente
Que esse amor tem que morrer
Olha apenas, mede e sente
E deixa ele crescer.
Uma coisa abstrata
Não se sabe de onde vem
Então como se mata
O amor em alguém?
Como não pensar
Que um dia pode ser?
E continua a caminhar
Em direção a esse querer.
 Acredita que existe
Uma chance em um milhão
E então se permite
Um pouco mais de ilusão.
Mas ilusão não satisfaz,
E para si mesmo diz:
Ilusão não quero mais
Eu preciso ser feliz.
Se revolta e joga fora
Abre os braços e solta
Pede: amor  vai embora
E ele vai, mas volta!

Ana Roen

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ALEGRIA PASSAGEIRA

Eu tenho a alma enlutada
E sofro até sem motivo
A vida passa e não vivo
E a vida inteira é nada!

Muito embora triste e sem graça
No meu mundo obscuro
As vezes a alegria me abraça
E dessa dor eu me curo


Pra voltar a sorrir
Ainda que por um segundo
Nada vai me impedir
E esse momento é tudo!

Ana Roen

VERDADE MALDITA


Sempre pensei ter fingido

Mas agora é nítido e claro

E embora sem sentido

Sou um caso um pouco raro

De alguém que não se suporta

E a si mesmo maltrata

Por vontade e por querer.

O que fazer

Pra de mim me livrar

Se pra eu me obedecer

Só se eu me matar?

O único jeito é morrer?!

Quero fugir do que sou

Mas sempre me sigo onde vou

Não deixando que de mim me esqueça

E sempre a mesma pergunta

Martelando na cabeça:

Que Deus tão negligente

Criou à revelia

Este ser que não queria

Se o fez ainda inocente?

Posso ainda estar dormindo

Mas meus olhos vão se abrindo

Minha revolta é crescente.

Agora que tenho ciência

Só encontro a saída

Pela porta de emergência.

Se alguém aí se espanta

De tão horríveis palavras

Digo, tenho outras tantas,

Mas minha boca se cala.

Pois me reservo o direito

De guardar alguns defeitos.

Se isso aqui não se encerra

Acabo como quem erra

Dizendo o que não queria

E rasgando meu coração

Em outros tantos pedaços.

Não sei porque me preocupo

Se disso sempre me ocupo

Se foi sempre isso que fiz

Se é sempre isso que faço.

Tanto que procurei

Pois agora que eu me achei

Não sei o que vou fazer.

Só sei que não vou ter

Nem um minuto de paz

Acabou-se meu alento

Daqui pra frente é tormento

Me enganar não posso mais!


Ana Roen


quinta-feira, 7 de julho de 2011

DESEJAR

Ver o brilho de uma estrela
E desejar tocá-la
Abandonar
Essa ideia
E desejar mais
Muito mais
Desejar
Sê-la
Pra do alto céu
Te  acompanhar.

Desejar ser o sol que queima
E tocar seu rosto
Com calor tão intenso
Que  teima...
Ou mesmo o calor
De um sol já posto.

Ser o mar bravio
Que contempla de onde estás
Ou ser apenas o navio
Que atraca nesse cais.

Ser amada, muito amada...
Ou ser nada, quase nada
As folhas que tu pisas
O chão da tua casa
A tua comida
A tua bebida
Alguém que passa.

Desejar apenas a graça
De estar na tua vida.

Ana Roen

FACE OCULTA

Quem pode dizer o que sou
Se nem eu sei responder
Só sei o que me custou
Trazer comigo este ser
Que se embriaga de uma dor
Como um vício que não se cura
Se parte do que sou
Tem a face tão escura
Que pode assim esconder
De si mesma o que procura.

E se não me encontram é porque
Sou da cor que ninguém vê!

Ana Roen

terça-feira, 5 de julho de 2011

ADEUS

Hoje essa estrada me leva somente ao fim
e caminhar por ela e algo tão doído
que o cansaço reprimido
vem em golpes
e eu caio
se volto por ela sinto
desmaios
e gritos
que saem da minha garganta
e a minha dor é tanta
que de joelhos suplico
ao meu algoz
dê-me o golpe incisivo
pois a razão pela qual ainda
vivo
não existe mais!
Aprofunda mais a lança
pois a morte é a esperança
só ela me satisfaz!
 
Ana Roen

sábado, 2 de julho de 2011

DESPREZO

Por que bater
Sempre à porta
Se nenhuma resposta
Vou ter
Nem mesmo a ironia
Dos mais frios dias
Fiz por merecer

Se grito por cima dos montes
Se me atiro de todas as pontes
Se bebo na fonte
Dos venenos mais fortes...
E pra quê?

Se até as almas já mortas
Vem me dizer:
- Eu sei o que não suportas
E essa é a dor que vai te vencer!

Cresce uma pantera
A mais negra de todas as feras
E vem nos meus olhos beber
Toda lágrima densa
Que ficou suspensa
E não pude verter

Na madrugada
Com foice afiada
A morte vem me render

Mas peço por nada
Sem fé e sem crença:
- Espera um pouco mais
Deixa-me viver!

Ana Roen