segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PERDÃO

Por tantas coisas que falo
Pela excomunhão
E até pelo que calo
Meu Deus, perdão.

Deu-me a alma sombria
E ando pela escuridão
Na minha triste via
E a cruz no coração.

Digo, em Ti não creio
E talvez não creia, a pensar
Com enorme receio
Se não estás a escutar.

São vastos os altos céus
E a linha do infinito
Que encobriu os densos véus
Desses meus olhos aflitos.

Ana Roen


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

POEMA CONTÍNUO - PARTE I (O poema sem fim)

Hoje vivo de inverno a inverno
Cessaram as outras estações do ano
Hoje eu vivo só de desengano
E do frio que transpassa alma, eterno.

Hoje não tenho mais necessidade
De fingir pra alguém que sou alguém
Vivo apenas do que minh'alma tem:
Tristeza, dor e alguma insanidade.

As pessoas dizem: -- Pensa em Deus que passa.
Finjo que creio e às vezes rio
Mas por dentro há somente o vazio
E se me ponho a rir, é da alheia desgraça.

Não por maldade mas por achar
Tão idiota e inútil os medos
Que as pessoas tem  que o infortúnio cedo
Possa por acaso as alcançar.

Com essa conversa eu já me amolo
Dixei as rezas e carolices à parte
Prefiro referenciar-me na arte
Que ao menos me traz algum consolo.

Tantas tentativas já baldadas
De em vão tentar agradar a todos
Indo eu também pelo mesmo engodo
Seguir exemplos que não dão em nada.

Mas buscar explicação também não serve
São só bobagens de encher as horas
Quando vem a dor o que se faz? -- Chora!
Pois não é profícuo exercitar a verve.

Caminham comigo lado a lado
De modo inseparável as coisas feias
Com os elos imbatíveis das cadeias
Em meio a esse horror desesperado.

E meu coração que é tão feio de dar medo
Mesmo assim abriga ainda
Dividindo ao meio essa ferida
Um amor que trago em segredo.

Mas vou aprendendo ainda que aos tropeços
Deixar pra trás o resquício da alegria
Que de nada mais me serviria
Como os restos mortais dos meus apreços.

Mesmo agora acima o plenilúnio
Não impede a noite ser sombria
Pois a escuridão constante desafia
Com o braço negro do infortúnio.

Eu sou a noite mais densa, a escuridão
O sol de inverno ao meio dia
Das ladainhas e rezas a latomia
E todas as palavras de maldição.

Trago a tristeza na alma enredada
Envolvida num abraço merencório
E um frio beijo marmóreo
Das longas insones madrugadas.

Sinto um mal-estar constantemente
E sobe-me à boca um certo nojo
Como se vivesse do despojo
Dos restos de um corpo já doente.

Ana Roen

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

EU TE AMO

Eu te amo com a imensidão do mar
Eu te amo com a vastidão do céu imenso
E te amo com dor de sentimento
E te amo como só eu sei te amar.

E passa o dia e a noite vem
E eu continuo sem
Teus olhos com que me veja
E sem saber onde esteja
A esperança de te encontrar.

Ana Roen

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

INVERNO NO DOLOROSO VERÃO

E hoje não há sol ao meio dia
O dia é pálido o sol se esconde
Onde a luz passava era eu que me escondia
E hoje há sombra por onde quer que eu ande.

Existe em mim um largo sentimento
Em tudo que toco com meu coração
Por tudo que eu sinto ou invento
Nessa doce e calma solidão.

Por vezes sinto passar o vento
Seja ele mesmo ou pressentimento
E mesmo esse vento me é bem vindo.

E há há nuvens grossas no firmamento
Do mais escuro dos tons cinzentos
E estou livre. O dia é lindo!

Ana Roen


INFERNO INTERIOR

Meus amigos poetas,
Eu não me iludo.
Meus poemas saem da minha boca mudos
Em disparada norteia a  seta
Para o alto mas não encontram os céus.

E eu desgrenho o meu ser interno
Subo aos montes e desejo o inferno
Mas não há castigo que absolva o réu.

Eu faço versos como quem apanha
Invisto contra minhas próprias entranhas
De sangue e pele tenho coberta as unhas
Que são o meu próprio arpéu.

Vago no mundo como coisa perdida
Às vezes orgulho-me das próprias feridas
Que as trago como um troféu.

Por dentro alguma coisa queima
E por 24 horas teima
Em arder como um fogaréu.

Às vezes consigo lançar meus gritos
Que correm inteiro pelo infinito
E acordo os deuses nesse escarcéu.

Mas os deuses a mim me temem
Não sabem qual tão horrível sêmem
Fez gerar este ser cruel.

E morro dentro de minhas próprias trevas
Em meus venenos, minhas próprias ervas
Meu ser inteiro é um mausoléu.


Ana Roen

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ÓDIO

Deixei-me levar solitária
À enterrar os meus sonhos
Sob a pedra mortuária
Deixei os meus dias risonhos.

Silenciei meu pranto, meus medos
Aceitei meu destino só
Pra viver esse degredo
Cobrí-me de chão e de pó.

E eu que fui feita de entrega
Hoje sou só raiva cega
Sob a insígnea bandeira do Não!

E hoje só tenho ódio
E uma pedra de sódio
No lugar do coração.

Ana Roen


CRUEL

Oh, que tempo cruel!
Está o dia horrendo
Há nuvens negras no céu
E faz um frio tremendo.

Oh, que tempo medonho
Cobre o dia este véu
Há nuvens no céu tristonho
E um frio cortante cruel!

Ana Roen


sábado, 26 de novembro de 2011

SOLITUDE E SOLIDÃO

Sentada no chão me envolvo
Meus braços a mim me envolvem
Sair de mim resolvo
Saídas assim resolvem.

Parte de mim reparte-me
Parte de mim dissolvo
Volto outra vez emendar-me
Meus braços me envolvem de novo.

Se saio volto e me envolvo.

Ana Roen


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NAU (FRÁGIO) (L)

Foi-me a esperança, que desfecho!
Foi tudo de minhas mãos fugindo
Fico aqui parada, não me mecho
Levem-me tudo, também já estou indo.
 

Levem meu destino, minha nau errante
Levem bem longe ao meio do mar
Que se perca pra sempre em uma onda gigante
Que queira, espero, assim o tragar.

Levem-me a sorte, que foi o meu mal
Levem também ao meio do mar
Que siga o destino de tantas naus
Que nunca mais ninguém pode encontrar.

Levem meu corpo e o deixem só
Levem pra longe... ao meio do mar
Uma pedra, uma corda, um grande nó,
E pronto. Já vou nessas águas morar.

Ana Roen


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MINHA POÉTICA

A minha poesia
É sincera e intimista
Eu acordo e todo dia
Passo a alma em revista.

E percorro cada canto
De sombrio interior
Sem surpresa nem espanto
Só existe lá a dor.

Vou sorvendo meus anseios
Vou bebendo em taça cheia
Sentimento, devaneios
Enquanto a vida passa alheia.

E sentindo o lânguido abraço
Da tristeza, em queda livre
Vou caindo pelo espaço
Sem ter onde me equilibre.

Daí vem essa poética
Como coisa meio torta
Sem seguir nenhuma estética
Meio viva, meio morta.

Ana Roen

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

LEVA O SOL

Meu Deus, que dia!
Tanta luz já é ofensa
À minh'alma que é sombria
E não suporta tal presença.

Eu prefiro a noite fresca
Ou a tarde arredia
Com suas nuvens pitorescas
De promessa e chuva fria.

Esse azul até me cega
Vejo sol pra todo lado
Meu Deus, dá-me, não nega
O meu céu acinzentado.

Leva o sol, seu grande astro
Lá pros lados do Oriente
E não deixa nem o rastro
De suas cores no poente.

Ana Roen


terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUEM DERA

Quem dera
Essa espera
Valesse à pena
E que a dor fosse mais amena
Que a experiência me desse ciência
Que o sonho enlevasse a paixão
Que os erros me fossem lição

Mas nada disso aprendo
Refaço, corrijo, remendo
Nem sei mais o que fazer
A vida é só pra valente
Eu sou um mero acidente
Nem mesmo sei o que quero
Às vezes quero muito viver
Às vezes morrer é o que ESPERO!

Quem dera
Essa espera valesse à pena...

Ana Roen


domingo, 18 de setembro de 2011

DE TUDO UM POUCO

De luzes azuis belas e multicores
De alegrias e cores maravilhosas
De perfumes e suaves frescores
De rosas amarelas, brancas cheirosas.

De pássaros no ninho em suave arrulho
De suaves sons, enigmática orquestras
De resplandecente e doce brilho
De visões rápidas em chamativas frestas.

De andorinhas pelo céu na dança
De janelas que se abrem de par em par
De graciosas vozes de crianças
De quebrar na praia suas ondas, o mar.

De folhas trêmulas molhadas
No suave burburinho do vento
Verdes, viçosas, como esmaltadas
Tenras, graciosas, em crescimento.

De ondas batendo nos rochedos
De linhas tênues marcantes
De montanhas rochas e penedos
De perder-se a vista no horizonte.

De visões de raios, tempestades
De chuva do céu caindo
Molhando a lânguida e bela tarde
E a noite no céu surgindo.

De estrelas, brilhos, constelações
De luar de loucos, encantamento
De estrelas cadentes em rápidos clarões
Que nos perde à vista em rápidos movimentos.

De incontroláveis movimentos de arfantes seios
De olhos e pupilas dilatadas
Dos mais loucos devaneios
De  corpo e almas em encontro arrebatadas.


De impressões suaves, leves
De tudo o que a alma encanta
De momentos felizes, rápidos, breves
De vir-me a lembrança nesses versos canta.

Ana Roen


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RESCALDO

Há quem passe pela vida
Prisioneiro em seu próprio ser
Mas eu ando destemida
E fujo para viver.

Às vezes navego sem rumo
Às vezes encontro uma ilha
Às vezes desço e me assumo
Às vezes caminho por trilha.

Ora subo a montanha
Ora estou a descer
Ora a vida ganha
Ora estou a vencer.
 
Ana Roen

FLORES NO PRECIPÍCIO

Persigo o caminhos das flores
E colho desilusão
A rosa dos meus amores
Vai sempre na contramão.
 

Desembarco sempre atrasada
Não é a estação
Passaram apressadas
Ao longe florido vagão.

E nunca está ao lado
As flores onde se apanha
Sempre em vale escarpado
Ou no alto da montanha.

Será que é só isso?
Será que tudo é assim?
Flores no precipício
E a vida a passar por mim...?

Ana Roen

MOSAICO

Fui tantas... Sou várias
Que nem tive tempo de me conhecer
Algumas morreram, lendárias
Vem me contam nem sei o que dizer.

Todas juntas, um mosaico de mim
Que vou montando e não termina
Que vai crescendo sem fim
Desde os tempos de eu menina.

E vou pela vida afora
A mim mesma colecionando
Só me lembro dessa de agora
Que já vai indo embora
Pr'aquele mosaico humano.
 

Ana Roen

CHUVA QUE FICA

E o dia ficou parado
Nesse infinito torpor
De um céu todo nublado
E tudo da mesma cor.

E a chuva se perdeu nas horas
E entrou a noite assim
Mas antes de ir embora
Uma gota caiu em mim.

E meus olhos ficaram embrumados
E dessa gota formou rio
Que cercou por todos os lados
Um sopro de vento frio.

E não cessa o frio, perverso
E não para essa chuva fina
Que são agora meus versos
Cercado por essas rimas.
 

Ana Roen

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EU SOU...

Eu às vezes sou sucinta
E às vezes sou demais
Muito embora nunca minta
Sempre vou e volto atrás.

Muitas vezes não me entendem
Muitas vezes não me entendo
Mas quem sabe um dia aprendem
Eu também to me aprendendo.

Vou às vezes na carreira
Mas às vezes a passos lentos
Mas eu tenho a vida inteira
E é meu todo meu tempo.

Eu sou tudo o que eu sonho
Mas também em pesadelo
Com a verdade me indisponho
Se não atende ao meu apelo.

Sou o vento? Sou miragem?
Me escondo? Me apresento?
Se esqueceu a minha imagem
Alcancei o meu intento.

Se me encontra outra vez
Vai dizer: -- Não te conheço!
Eu sou uma, duas, três...
Com nenhuma me pareço.

Se tentar me entender
Mais confuso vai ficar
Se de novo quer me ver
Me procure sem parar.

Ana Roen

A ROSA DA TRISTEZA

Vai, arranca as tuas flores
Vai, desfolha esse jardim
Plantação de desamores
Borboletas de marfim.

Vai, se joga nesse afã
De sofrer a vida afora
Pois a tua sorte é vã
E o amor te ignora.

Vai e bebe com frieza
Cada gota desse amargo
E se vires a tristeza
Não a deixes ir à largo.

Aproveita o ensejo
De visita tão honrosa
Peça a benção, da um beijo
Faça dela a tua rosa.

Ana Roen


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E.U. T.E. A.M.O.

Eu te amo no que escrevo
E te amo no que eu faço
Eu te amo mais que eu devo
Nesse amor eu me desfaço.

Eu te amo com saudade
Eu te amo com loucura
Eu te amo com verdade
Em ti vejo a minha cura.

Eu te amo em segredo
Mas às vezes eu escancaro
Eu te amo com meus medos
Eu te amo e nunca paro.

Eu te amo e te quero
Desse amor também preciso
A loucura que eu espero
Do teu corpo e paraíso.

Eu te amo com tristeza
E te amo com alegria
Muito embora longe esteja
Sem amor pior seria.

Eu te amo e não me custa
Como coisa habitual
Eu te amo e só me assusta
Se te ronda qualquer mal.

Eu te amo no que vejo
Em tuas fotos, tua imagem
Nos meus sonhos te desejo
No deserto és miragem.

Amo tua voz que é linda
Que um dia escutei
E o som escuto ainda
Para sempre guardarei.

Eu te amo e te devoto
O melhor que há em mim
Eu te amo e não te solto
O teu não pra mim é sim.

Eu te amo nessa vida
E te amo se eu morrer
Pensa nisso e não duvida
Nesse amor confia e crê.

Eu te amo, és amado
Para sempre te amarei
Guarda sempre com cuidado
Esse amor que eu te dei.
 

Ana Roen

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

AURORA

Que ilusões gentis à alma evoca
Que breves sonhos de outras criaturas
Que notas dormentes toca
Música suave de orquestras puras.

Breve lamento de doce agonia
Como se o ser transpassasse o movimento
Em ver que acorda lentamente o dia
Sem soluços, em delicado momento.

Dor ainda sem sentimento ou ardência
Clarões e luminosidades claras
Que vão surgindo nessa cadência
De silêncio e vozes silenciosas, raras.

E o pressentimento de que tudo começa
E o sol de ameaça incerta
Pairando ao longe, sem nitidez ou pressa
Sob nuvens lentamente desperta.

E vai despertando o que eu não queria
E vai revolvendo até a superfície
E as incertezas que ao longe eu via
O sol descobre, misterioso artífice.

Breve instante o arrebol
Em que se pode repousar ainda
Mas eis que rompe a preguiça, o sol
E sua fúria desperta a vida.

Quantas interrogações já vejo saltar
Que reserva de dias anteriores?
O que vai desabrochar?
Ou morrerão para sempre as flores?

Ah, não há dúvida começa tudo
Em um raio onde minha vista alcança
Agora é certo, tudo é desnudo
E fecho os olhos à misteriosa dança.

E dos olhos só uma lágrima rola
Que vinha guardando aqui nesses versos
Debaixo desse sol que a tudo assola
Nesse mundo aparente, o meu mundo é submerso.

Nasce o dia!
Eu me despeço.

Ana Roen

sábado, 20 de agosto de 2011

EXCRUCIANTE

Uma dor na alma ensanguentada...
De saber que toda beleza
Nasce da tristeza
E todo amor
Nasce da incerteza...
E a felicidade
Já nasce condenada!

Ana Roen

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

POR QUÊ?


O que fazer da noite que assombra?

O que fazer se o mal se avizinha?

Tristeza e dor tenho de sobra

E com todos vocês estou sempre sozinha.



O que fazer se a dor me vence?

Como secar a lágrima que escorre?

E se a tristeza me pertence

Por que dela assim se morre?



Por que é essa dor tão vivaz?

Por que de mim e apossa?

E por que nunca se satisfaz,

Pisa, insulta, rir, faz troça...?



Até quando meu Deus... Tudo vê

Me deixará assim vencida

Quanto choro há mais pra verter

E quanta dor ainda há nessa vida?



Ana Roen

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A MESMA DOR

Chorei um rio de amargor
E nem ao menos assim me deixas
Purgando sempre a mesma dor
Dando mais motivo às minhas queixas

Passei a vida inteira com o grito
Pronto pra sair, minha voz rouca
Em agonia e ânsia ainda me agito
Como se a mão cobrisse minha boca

Oh, dor porque me escolheu
E persegue-me sempre ensandecida
Comprarei uma passagem só de ida
Pra bem longe outro mundo outra vida
Onde ninguém mais me encontre, nem eu

E quando perguntares por mim: -- morreu!


Ana Roen

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ÁGUAS DE MIM

Eu não choro porque queira
Quem me chora é a vida
Eu me seco por inteira
Mas em rio fui convertida

E não paro de verter
Dessa fonte ressentida. 

Ana Roen

ESPELHO

Não me olho mais de frente
Não por falta de coragem
É por ver que de repente
Se apagou a minha imagem.

A que vejo não sou eu
Quando foi que me perdi?
Ou o espelho me esqueceu
Ou eu nunca existi.

Ana Roen

DIVIDIDA

Sinto que nasci por distraída
Que sou e vim ao mundo sem querer
Abortei meu projeto de suicida
Na metade e não consigo então viver.

É assim que eu vivo dividida
Em metades que separada
Uma está sempre de partida
A outra é presa e amarrada

A este mundo que não é o seu lugar
Pois aqui não encontrei o que eu queria
Depois de incessantemente procurar
Nem mesmo sei o que seria...

E é sempre a mesma angústia que não passa
E é sempre esta angústia que não finda
E tenho a sorte por desgraça
E ando meio morta nessa vida.

Ana Roen

TUDO

Quem pode extravasar isso que sinto?
Dentro de mim não cabe, explodo!
Com a verdade mesmo minto
E com tudo e nada me incomodo.

Quero ir aos céus, descer ao inferno
Ir a todos os lugares num minuto
Fazer com que esse instante seja eterno
Porque eu sinto, sinto, e sinto muito.

Minha alma não posso mais conter
Como se vai embora e assim me diz
Que posso mesmo quem sabe até morrer
Desse jeito que estou, triste e tão feliz!

Ah! Eu colho as rosas do absurdo
Posso até gritar que continuo muda
E tudo é nada e nada é tudo
E mais e mais a alma inunda.

Que posso ainda mais querer...? Eu não me iludo...
A visão do ser amado ainda queria
Aí então dizer eu poderia
Que tudo isso agora é MAIS que tudo!

Ana Roen